Líbano. Hezbollah aceita trégua proposta por Trump, Israel suspende ataque a Beirute

Líbano. Hezbollah aceita trégua proposta por Trump, Israel suspende ataque a Beirute

Num breve comunicado na noite deste segunda-feira, Netanyahu disse que, "as Forças de Defesa de Israel continuarão a operar no sul do Líbano, conforme planeado", sem referir o ataque a Beirute anunciado de manhã. Ao mesmo tempo, a presidência libanesa confirmava que o Hezbollah aceitava as tréguas propostas por Donald Trump.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel Foto: Ilia Yefimovich - Reuters

Numa publicação na rede Truth Social, Donald Trump, afirmara que, após "uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelita", não iria haver tropas "a ir para Beirute" e que tropas com ordem de ir para a área haviam sido "impedidas de prosseguir".

A guerrilha xiita libanesa, ter-lhe-ia por seu lado prometido "não atacar Israel", alegou ainda. Um responsável libanês disse em seguida à Reuters que, o Hezbollah tinha informado os EUA, através do presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, de que estava disposto a suspender os ataques ao norte de Israel em troca de Israel poupar Beirute e os seus arredores.

Netanyahu reagiu às publicações de Trump na rede Truth Social, afirmando em comunicado que disse ao presidente norte-americano, durante a conversa telefónica entre ambos, que as Forças de Defesa de Israel atacariam Beirute, caso o Hezbollah disparasse contra alvos israelitas.

Netanyahu avisou ainda que, se o Hezbollah continuasse a atacar cidades e civis israelitas, Israel avançaria sobre os seus alvos na capital libanesa.

O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, confirmou por sua vez na noite de segunda-feira, que "não há cessar-fogo no Líbano". 

Em entrevista ao canal de notícias israelita de direita, o Canal 14, Katz afirmou que Israel continuaria a atacar o sul do Líbano, fazendo eco das palavras de Netanyahu.

“Estamos a dar continuidade às nossas operações para frustrar as capacidades do Hezbollah e remover todos os seus agentes do sul do Líbano”, disse Katz. “Continuaremos a agir contra qualquer ameaça criada pelo Hezbollah.”

A teimosia do Governo israelita parece apesar de tudo ter recuado no ataque anunciado de manhã contra a capital libanesa. 

Além da pressão de Trump, poderá ter também surtido efeito a ameaça das forças armadas iranianas, de que iriam bombardear o norte de Israel, caso o ataque a Dahieh se concretizasse.
Hezbollah aceita proposta

As autoridades lebanesas confirmaram por seu lado ter recebido "a confirmação da concordância do Hezbollah com a proposta dos EUA, para uma cessação recíproca dos ataques".

Em comunicado, a presidência libanesa sublinhou que, de acordo com a proposta, os ataques israelitas aos subúrbios do sul de Beirute cessariam em troca da abstenção do Hezbollah de realizar ataques contra Israel. O cessar-fogo seria ainda "ampliado para abranger todo o território libanês". A mesma fonte referiu que estavam agendadas novas discussões, terça e quarta-feira, "para discutir este progresso e dar continuidade ao acordo".

A Embaixada libanesa em Washington, fazendo eco da confirmação do Hezbollah, detalhou que o acordo implicaria a suspensão dos ataques israelitas a Dahieh, nos subúrbios sul de Beirute e um bastião do grupo xiita apoiado pelo Irão, "em troca do compromisso do Hezbollah de se abster de lançar ataques contra Israel, sendo o cessar-fogo estendido a todo o Líbano". 

Na manhã de segunda-feira, Katz e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tinham declarado num comunicado conjunto que tinham instruído as Forças de Defesa de Israel para iniciarem os ataquesa Dahieh. 

Durante a tarde, fontes militares publicaram recomendações para os habitantes da área se afastarem. Fontes israelitas afirmaram de seguida que o gabinete de Netanyahu esperava apenas luz verde de Trump para avançar sobre Beirute. 

Horas antes, Teerão tinha anunciado que suspendia o diálogo de paz com os Estados Unidos, devido ao avanço israelita em violação do acordo de cessar-fogo em vigor. 

Mesmo dizendo não se "importar" com o fim das negociações, Trump terá conseguido suspender o ataque israelita a Beirute, pelo menos por algumas horas.
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